Dubitando, ad veritatem parvenimus... aliquando! Duvidando, chegamos à verdade... às vezes!
 
A Palestina no tempo de Jesus, segundo escritos do século I

O CASTELO HERÓDION, PERTO DE BELÉM
Os Dois Heródions
(B. J)

Mas, se ele assim fez passar à eternidade os seus próximos e os seus amigos, também não negligenciou o cuidado da sua própria memória: restaurou as fortificações de um lugar situado na montanha do lado da Arábia, e chamou-o com o seu próprio nome, Heródion, (1) enquanto a colina artificial, (2) em forma de mama, (3) a 60 estádios de Jerusalém, recebeu dele o mesmo nome, mas ele pôs mais requinte a embelezá-lo. Foi assim que ele cingiu o cume com torres redondas e guarneceu toda a cerca com luxuosos apartamentos régios; de tal forma que não somente os edifícios ofereciam um espetáculo magnífico, por dentro, mas também a riqueza estava espalhada em profusão em revestimentos exteriores dos muros, em ameias e em coberturas.

Fez vir de longe, com grandes despesas, toda a água necessária. Arranjou o acesso do palácio por uma escada de 200 degraus de um mármore muito branco, porque a elevação era considerável e inteiramente artificial.

Ao pé da colina, construiu outros edifícios régios, aptos à intendência e ao alojamento dos seus amigos; de tal forma que este reduto, pelo facto de ser provido de tudo, dava a impressão de uma cidade, mas pelo seu perímetro restrito, a de um palácio.

(B. J. Liv. I, 419 - 421)
1) Este Heródion, situado nos confins da Arábia, continua não identificado.

2) Construído como recordação da sua vitória sobre os Judeus aliados dos partos, a alguns quilómetros a SE de Belém, e bem visível desta mesma cidade. Herodes foi sepultado neste Heródion.

A gruta tradicionalmente considerada como sendo o local do nascimento de Jesus situa-se na extremidade oriental do topo de uma colina virada para o Heródion. É uma gruta cavada na rocha, medindo 12 m de comprimento no sentido E-O, 4 de largura e 3 de altura. A manjedoura é assinalada a SE, numa pequena reentrância.

3) O Heródion, segundo o que as escavações mostram, era um castelo redondo, situado no topo de uma montanha redonda. Consistia em duas muralhas paralelas, uma dentro de outra, circulares, ligadas entre elas por vários andares de dependências, e 4 torres redondas em torno, orientadas para os 4 pontos cardeais. Das 4 torres, 3 eram baixas, talvez da altura das muralhas duplas, e semicirculares, enquanto a torre oriental, circular, era alta. No interior do castelo, havia mais dependências, incluindo uma sala de 4 colunas, um balneário e um peristilo retangular, de 27 m de comprimento (= 60 CV) no sentido N -- S, encostado à torre oriental, provido de 2 êxedras, uma em cada extremidade, com 2 colunas cada uma. Supõe-se que as muralhas duplas e as três torres semicirculares tivessem 4 ou 5 andares, 3 deles metidos dentro da colina artificial; e que a torre circular, a E, tivesse mais 3 ou 4 andares acima dos 4 ou 5 do resto do castelo. Os compartimentos interiores certamente não ultrapassavam a altura do andar inferior.

(A. J.)

Após o seu casamento, construiu uma nova fortaleza no lugar onde tinha vencido os Judeus, que ele tinha expulso enquanto Antígono se encontrava no poder.

Este lugar é distante de Jerusalém cerca de 60 estádios; é naturalmente forte e presta-se admiravelmente a tal destino. É, com efeito, uma colina muito alta, erguida artificialmente e apresentando, no seu conjunto, a forma de uma mama. De intervalo a intervalo encontram-se torres redondas. Sobe-se até lá por uma escada íngreme, contando cerca de 200 degraus de pedra polida. No interior, encontram-se apartamentos régios luxuosos, tão bem organizados para a defesa como para a beleza. No sopé da colina, foram executados trabalhos notáveis, nomeadamente pela conduta da água, de que o lugar era desprovido, e que foi trazida de longe com grandes custos. As construções erguidas no sopé da colina, que lhe servia de acrópole, não eram menores em importância a nenhuma cidade.


(A. J. Liv. XV, IX. 323 - 325)
A GALILEIA
As Duas Galileias
(B. J.)

Há 2 Galileias, chamadas, respetivamente, a Alta e a Baixa. São cercadas pela Fenícia e pela Síria. A ocidente, são delimitadas pelos confins do território de Ptolemaide e pelo Carmelo, montanha que pertencia outrora aos Galileus e agora aos habitantes de Tiro. No Carmelo confina-se Gaba, «Cidade dos Cavaleiros», assim denominada pelo facto de os cavaleiros licenciados pelo rei Herodes se terem estabelecido aí.

A sul, o seu limite é a Samaria e Sitópolis, até às águas do Jordão.

A oriente, é limitada pelos territórios de Hipos, de Gadara e da Gaulanítide. Deste lado, é a fronteira do reino de Agripa.

A norte, a Galileia é limitada por Tiro e pelo território dos habitantes de Tiro.

O que se chama a «Baixa Galileia» estende-se em comprimento de Tiberíades a Zabulão, de que é vizinha Ptolemaide no litoral. Em largura, estende-se desde a aldeia chamada Xalot, situada na Grande Planície, até Bersabeia, onde começa a Alta Galileia, que se estende em largura até à aldeia de Baka. (1) Esta aldeia limita o território dos habitantes de Tiro. Em comprimento, a Alta Galileia vai de Tela, (2) aldeia próxima do Jordão, até Merot. (3)

Com uma extensão tão limitada, e cercadas de tantas nações estrangeiras, as duas Galileias resistiram a toda um série de agressões, porque os Galileus foram sempre valentes no combate, desde a infância, e sempre numerosos. A cobardia nunca afetou os homens, nem a falta de homens ao país.

O solo é, por todo o lado, tão fértil, tão rico em pastagens, todo plantado de árvores tão variadas, que o homem que não tivesse o menor gosto pelo trabalho da terra seria incitado a ele por estas facilidades. Da mesma forma, o solo tem sido explorado pelos seus habitantes em toda a sua extensão, sem que alguma parcela ficasse em pousio. Por outro lado, aí as cidades são próximas e a população das aldeias é, por todo o lado, de uma densidade elevada, devida à fertilidade do solo, de tal forma que a mais pequena cidade conta mais de 15 000 habitantes. (4) (5)

(B. J. III, 35 - 43)

1) Baka – Hoje, el Buqei´a.

2) Tela – Hoje, et-Teleil.

3) Melon fica a cerca de 5 km a sul de Giscala.

4) Exagero evidente!

5) Nazaré não é referida nos escritos de Josefo, nem no Antigo Testamento, nem no Talmud, o que indica tratar-se de uma povoação muito insignificante naquela época, (Jo 1, 46) com a sua sinagoga (Mt 13, 53-58; Mc 6, 1-6; Lc 4, 16-30).

O Reino de Agripa

O território deste reino começa na cordilheira do Líbano e nas fontes do Jordão para se estender em largura até ao lago de Tiberíades, e, em comprimento, da aldeia chamada Arfas até Júlias.(1) É habitado por uma população mesclada de Judeus e de Sírios.

Fizemos, assim, conhecer, o mais brevemente possível, a configuração do país dos Judeus e das regiões circundantes.

(B. J. III, 57 - 58)

1) A localização de Arfas é incerta. Júlias situava-se a norte do lago de Tiberíades.

PANEIAS
(Cesareia de Filipe)
(A. J.)

Depois de ter acompanhado César até ao mar, Herodes, de volta, elevou-lhe, nas terras de Zenodoro, um templo magnífico (1) em mármore branco, perto do lugar que se chama Paneias. (2)

Existe, neste lugar da montanha, uma gruta encantadora, por cima da qual se abre um precipício e um abismo inacessível, cheio de água parada. Por cima, ergue-se uma alta montanha. É nesta gruta que o Jordão tem a sua nascente.

Herodes quis acrescentar a este admirável sítio o ornamento de um templo, que dedicou a César. (1)

(A. J. XV, Cap. X, 3. 363 - 364)

1) É o templo que figura, com um frontão sobre quatro colunas, nas moedas do tetrarca Filipe, filho de Herodes.

2) Mt 16, 13 e Mc 8, 27 chamam a esta cidade Cesareia de Filipe.

CRIAÇÃO DE CIDADES PELOS TETRARCAS HERODES E FILIPE

Depois de ter liquidado os bens de Arquelau e terminado o recenseamento, que teve lugar no trigésimo sétimo ano após a derrota de António por César, em Áccio, Quirino despojou da sua dignidade Joazar, o grande pontífice, contra quem o povo se tinha revoltado, e substituiu-o por Anás, filho de Set.

Herodes (Antipas) e Filipe tinham tomado posse das suas tetrarquias.

Herodes (Antipas) fortificou Séforis, adorno de toda a Galileia, e chamou-a Autocratóris (Imperial). Da mesma forma, após ter cercado de muralhas Betaranfta, outra cidade, chamou-a de Júlias, segundo o nome da imperatriz.

Por seu lado, Filipe, tendo reorganizado Paneias, na fonte do Jordão, chamou-a de Cesareia (de Filipe), enquanto a vila de Betsaida, situada perto do lago de Genesaré, foi elevada por ele à dignidade de cidade, por causa do número dos seus habitantes, e recebeu o mesmo nome de Júlias, em honra da filha do imperador.

(A. J. XVIII, Cap. II, 1. 26 - 28)
O LAGO DE GENESARÉ E O RIO JORDÃO
(B. J.)

O lago de Genesaré deve o seu nome ao território que o torna vizinho. Mede 40 estádios de largura e 140 de comprimento. (1) É, no entanto, um lago de água doce e muito boa para beber. Tem uma água mais leve que a água espessa das lagoas.

É um lago limpo, cercado de todos os lados por praias e areia. Além disso, a água que se colhe dele é temperada, mais agradável que a de um ribeiro ou de uma fonte, mas continua sempre mais fresca do que seria de esperar com a extensão deste lago.

Esta água não é inferior à neve, quando exposta à corrente de ar, como têm costume de fazer, no verão, durante a noite, as pessoas do país.

As variedades de peixes que aí se encontram diferem das de qualquer outro lado, tanto no gosto como na forma.

O lago é cortado ao meio pelo Jordão, que, aparentemente, tem a sua nascente no Paneias, (2) mas é conduzido até aí, escondido debaixo da terra, desde a fonte chamada Fialé. Esta fonte está situada a cento e vinte estádios de Cesareia, (2) quando de sobe na direção da Traconítide, a pouca distância do caminho, do lado direito. Segundo a etimologia, tira o seu nome de Fialé da sua configuração, porque é um lago em forma de roda. (3) A água enche-o sempre até ao cimo, sem nunca baixar nem transbordar.

Até aqui, ignorava-se que o Jordão partia de lá, e foi Filipe, tetrarca da Traconítide, que forneceu a prova: tendo deitado bocados de palha no lago de Fialé, encontrou-os restituídos no Paneias, onde os antigos achavam que o rio tinha a nascente.

A beleza natural de Paneias foi realçada pela munificência régia, tendo-o Agripa ornado às suas custas. O Jordão começa o seu curso visível a partir desta gruta, depois quebra os pântanos e as águas estagnadas do lago Semeconítide, (4) percorre ainda 120 estádios, e, após a cidade de Júlias, passa no meio do lago de Genesaré, donde, após ladear um grande deserto, desemboca no lago Asfaltite. (5)

Ao longo do lago de Genesaré, estende-se uma campina com o mesmo nome, admirável pela sua beleza natural. Graças à sua fertilidade, este solo não recusa nenhuma plantação. Os agricultores fazem lá brotar de tudo e a feliz composição do ar convém mesmo às espécies mais diferentes. Assim, as nogueiras, essência que tolera melhor os climas rigorosos, prosperam infinitamente neste país de palmeiras, que vivem do grande calor, a figueiras e a oliveiras, que se conciliam mais com ele, para as quais se prescreve um clima mais doce. Dir-se-ia que a Natureza colocou o seu ponto de honra neste alternar de forças de juntar num único lugar as essências incompatíveis e de provocar as estações numa bela rivalidade, onda cada uma faz valer os seus direitos sobre este território. De facto, a região não só produz, contra toda a esperança, os frutos mais diversos, mas fá-los durar. Assim, estes reis dos frutos, as uvas e os figos, ela fornece-os durante 10 meses sem interrupção; os outros frutos, durante todo o ano, amadurecem lá sobre a árvore. É que, além do seu ar temperado, é regada por uma fonte muito fertilizante. (6) As pessoas do sítio dão-lhe o nome de Cafarnaum. (7) Alguns pensaram que era uma ramificação do Nilo, já que produz uma espécie de peixes análoga ao coracim (8) do lago de Alexandria. (9) Este território estende-se na margem do lago do mesmo nome, num comprimento de 30 estádios e numa largura de 20.

Tal é a natureza destas paragens.

(B. J. III, 506 - 521)

1) Na realidade, o lago de Genesaré (lago de Tiberíades ou mar da Galileia) mede tem 21 km de comprimento por 11 km de largura e 45 m de profundidade. O seu perímetro é de 52 km e a sua superfície de 212 km2. A sua superfície está a 212 m abaixo do nível do mar. Todo o vale do Jordão fica abaixo do nível do mar.

2) Paneias e Cesareia de Filipe: Supra V e VI.

3) Phialé, em grego, significa «taça».

4) Lago Semeconítis ou lago de Huleh.

5) Mar Morto.

6) 'Ain-el-Tabgha, local tradicional da multiplicação dos pães, perto de Cafarnaum (se bem que a primeira multiplicação dos pães teve lugar perto de Betsaida, segundo Lc 9, 10). Conserva o nome de Heptapégon (sete fontes).

7) Kephar Nahum (aldeia de Naum) é a terra natal de S. Pedro e a pátria adotiva de Jesus.

8) Clarias lacera, um peixe sem escamas, por isso «animal impuro», segundo Lv 11, 9-10.

9) O lago Mareotis.

O Vale do Jordão

Além disso, quando César lhe presenteou novos territórios, Herodes fez-lhe elevar um templo de mármore branco perto das fontes do Jordão, num lugar chamado Paneias.

Aí se ergue um pico de uma altura infinita que entreabre nas cavidades do seu flanco uma caverna obscura, onde se cruza o abismo sem fundo de um imenso precipício. Nenhuma sonda, por mais longa que fosse, chega a tocar o fundo da sua massa de água tranquila. Em baixo, as fontes brotam fora desta caverna e seria, segundo alguns, a origem do Jordão, mas nós diremos mais adiante o que é exatamente.

Ainda em Jericó, entre a fortaleza de Cipro (1) e o antigo palácio régio, o rei construiu um novo, mais belo e mais apropriado à receção dos hóspedes, às construções do qual ele deu os nomes dos seus próprios dois amigos.

Em suma, não se saberia dizer que lugar do seu reino que lhe fosse propício ele deixou desprovido de um monumento em honra de César. Quando ele acabou de preencher de templos os eu próprio território, fez transbordar para o domínio do imperador os monumentos honoríficos e elevou templos de César em muitas cidades.

(B. J. I, 404 - 407)
1) Assim designada, em honra da mãe de Herodes.

As Cercanias de Jericó e do Vale do Jordão

(J ericó) era uma cidade (...) situada na planície, mas dominada por uma longuíssima cordilheira de montanhas áridas, que se prolonga ao norte, até ao território de Sitópolis e, ao sul, até ao país de Sodoma e à extremidade do algo Asfaltite.

Toda esta cordilheira é de um relevo atormentado, e desabitada por causa da sua esterilidade. Frente a ela estende-se a cordilheira que ladeia o Jordão; começa a norte, em Júlias, e prolonga-se, ao sul, até Sodoma, à fronteira de Petra, na Arábia.

Nesta região encontra-se, encontra-se, igualmente, o que se chama «Montanha de Ferro», que se alonga até ao país de Moab.

A região situada entre as 2 cordilheiras de montanhas é chamada «a Grande Planície», e estende-se do pequeno burgo de Senábris até ao lago Asfaltite. O seu comprimento é de 1200 estádios, a sua largura de 120, e é dividida ao meio pelo Jordão. Possui 2 lagos, o de Asfaltite e o de Tiberíades, com propriedades naturais opostas: o primeiro, com efeito, é desagradável e estéril, enquanto o de Tiberíades é um lago de água doce cheio de peixes. A planície é abrasadora durante o verão; por excesso de seca, contém um ar maligno. Porque todo o país é privado de água, exceto o Jordão, cujas palmeiras que crescem nas margens são mais floridas e dão mais frutos que as que estão situadas mais longe.

(B. J. IV, 452 - 458)
A «Fonte de Eliseu»
(2Rs 2, 18-22)

Muito perto de Jericó, existe uma fonte abundante muito vantajosa para a irrigação. (1) Jorra próximo da cidade antiga, que foi a primeira do país dos Cananeus da qual Josué, filho de Nun, general dos hebreus, se apoderou pelas armas. (2)

A tradição pretende que, originalmente, esta fonte não só impedia a eclosão dos frutos da terra e das árvores, mas também fazia abortar as mulheres, em suma, que era maligna e prejudicial para todo o uso, mas que foi adoçando e tornando-se, pelo contrário, muito salutar e muito fecundante, por intervenção de um certo profeta Eliseu (Ele era discípulo e sucessor de Elias). Tendo sido o hóspede dos habitantes de Jericó, como as pessoas lhe tinham testemunhado muita simpatia, ele gratificou-as, em troca, a eles e à região, com um benefício para sempre. Aproximou-se da fonte, lançou na corrente uma bilha de terra cozida cheia de sal, depois, erguendo ao Céu a sua mão direita de justo, e espalhando no solo libações propiciatórias, pediu à terra que adoçasse a corrente e que abrisse veios mais doces, e ao Céu que misturasse a estas ondas um ar mais fecundante, que concedesse às pessoas do país a abundância de colheitas e de filhos para lhes sucederem, sem que alguma vez venha a secar para eles esta água fecundante, tanto tempo quanto eles permanecessem justos. Juntando a estas súplicas muitos gestos com as mãos que ele sabia, mudou a natureza da fonte. E a água, que até aqui lhes tinha causado privação de filhos e a fome, foi, a partir deste momento, o que lhes trouxe fecundidade e abundância.

Possui, em todo o caso, tais qualidades para a irrigação que, mesmo que não faça mais do que aflorar uma terra, o rendimento é melhor do que com águas que ficam lá até à saturação. É por isso que, enquanto o rendimento destes últimos, que sendo prodigalizado, continua fraco, o rendimento daquela água, ainda que seja em pequena dose, é considerável.

Esta fonte irriga uma superfície maior que todas as outras. Espalha-se por uma planície de setenta estádios de comprimento por vinte, e sustenta uma quantidade de jardins decorativos belíssimos e luxuriantes.

As palmeiras assim irrigadas são de muitas qualidades e os seus frutos têm sabores e virtudes medicinais variadas. As qualidades mais férteis, se forem pisadas com o pé dão em abundância um mel que não é muito inferior a outro.

A região alimenta grandes quantidades de abelhas; (3) produz também o bálsamo, cujo fruto é o mais estimado de todos os do país; o cipreste e o mirobalão, (4) de tal modo que uma pessoa não se enganaria, qualificando de divina esta região, onde surgem em abundância os produtos da terra mais raros e melhores. Seria, igualmente, penoso comparar-lhe, pela fertilidade, qualquer outra região do mundo, de tal forma as sementes que aí se laçam produzem abundantemente.

A causa é, na minha opinião, o calor do ar e a propriedade tonificante da água. O ar excita e faz desabrochar as plantas; a humidade enraíza solidamente cada uma delas e dispensa-lhes o vigor no verão, enquanto a região é tão ardente que ninguém sai por vontade.

Colhe-se a água antes do nascer do sol. Se em seguida se expõe à corrente de ar, ela torna-se muito fria e torna, assim, um caráter oposto ao meio ambiente que a cerca. No inverno, pelo contrário, fica tépida e é muito agradável para os que se molham nela.

A atmosfera é tão doce que os habitantes usam roupas de pano fino, enquanto neva no resto da Judeia.

Jericó fica a 150 estádios de Jerusalém e a 60 do Jordão. (5) De lá até Jerusalém, a campina é deserta e rochosa; e, de lá até ao Jordão e ao lago Asfaltite, o terreno é mais baixo, mas igualmente desértico e estéril. Mas já falei bastante das vantagens excecionais de Jericó.

(B. J. IV, 459 - 475)

1) Esta fonte é identificada com a Fonte do Sultão, a norte da rota para Jerusalém.

2) Js 6, 1-21.

3) Por isso é que João Batista, vivendo no deserto da Judeia, perto de Jericó, se alimentava de «gafanhotos e de mel silvestre» (Mt. 3, 4).

4) Balanites aegyptiaca.

5) Na realidade, de Jericó a Jerusalém são 35 km e de Jericó ao Jordão são 8 km.

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

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